Mattos Nascimento denuncia uso não autorizado de sua voz por inteligência artificial

Cantor alertou que canais utilizam voz idêntica à sua em coletâneas de duas horas para lucrar com visualizações

O cantor e compositor Mattos Nascimento, um dos nomes de maior relevância e longevidade na história da  música evangélica brasileira, publicou um manifesto de repúdio em suas plataformas digitais.

O artista denunciou estar sendo vítima de clonagem vocal e plágio por meio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). O alerta expõe o avanço de uma modalidade de fraude digital que simula lançamentos fonográficos de grandes intérpretes para monetizar visualizações em plataformas de compartilhamento de vídeo.

A Anatomia do Álbum Falso e a Monetização Indevida

De acordo com o relato do cantor, um canal na plataforma YouTube estruturou um lançamento falso intitulado “Mattos Nascimento Inédito 2026”, ilustrado por uma imagem gráfica que não condiz com sua identidade visual habitual.

O compilado reúne 25 faixas descritas como inéditas, totalizando mais de duas horas de reprodução contínua — uma métrica técnica utilizada por administradores para inflar a retenção de público e maximizar os ganhos publicitários da conta, que é plenamente monetizada. “Eu desconheço isso, deve ser IA… Nenhuma daquelas  músicas eu compus ou canto. Usaram a minha voz para fazer aquilo, mas é mentira”, asseverou Mattos Nascimento.

Ameaça Sistêmica ao Catálogo de Clássicos do Gospel

A proliferação de materiais gerados por algoritmos generativos de voz deixou de se limitar a versões descontraídas de canções conhecidas (os chamados deepfakes  musicais) e passou a focar na criação de composições inéditas completas, enganando consumidores que acreditam estar diante de obras oficiais.

Aprendizagem automática e inteligência artificial

Uma busca técnica nos servidores de vídeo revela que Mattos Nascimento não constitui um caso isolado. O mesmo modelo de clonagem vocal e distribuição indevida está sendo aplicado a catálogos de outros grandes nomes da vertente pentecostal e congregacional, como os cantores Gerson Rufino e Mara Lima, estendendo-se inclusive ao acervo histórico do falecido cantor e pastor Irmão Lázaro.

A reação judicial e pública de veteranos da música cristã acelera a cobrança por marcos regulatórios globais de direitos autorais voltados à proteção contra o uso não autorizado de biometria vocal.

Enquanto as gravadoras tradicionais buscam readequar seus departamentos jurídicos para derrubar conteúdos sintéticos infratores, criadores anônimos continuam a explorar a audiência de nichos eclesiásticos consolidados.

Fonte: O Fuxico Gospel  

Foto: Divulgação  

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