O primeiro-ministro do Japão, Kishida Fumio, e o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, concordaram em retomar a chamada “diplomacia recíproca” entre os líderes dos dois países. Visitas mútuas entre ambos os lados não aconteciam há mais de uma década.
Kishida e Yoon concederam uma coletiva de imprensa conjunta após encontro de cúpula realizado em Tóquio na quinta-feira (16).
O premiê do Japão saudou o plano anunciado pelo governo sul-coreano este mês de resolver a questão de trabalhos realizados no período da guerra. Afirmou que o governo japonês acredita que o plano vai ajudar no restabelecimento de boas relações entre os dois países.
Kishida agradeceu Yoon pela forte liderança em elaborar o plano de resolução, sob o qual uma fundação sul-coreana irá pagar por indenizações no lugar de empresas japonesas a requerentes que dizem que eles próprios ou seus familiares foram forçados a trabalhar para tais firmas durante a 2ª Guerra Mundial. O premiê diz acreditar que a fundação não irá exigir que empresas japonesas façam reembolso dos pagamentos posteriormente.
Kishida afirma ter dito a Yoon que seu governo vai endossar a declaração bilateral de 1998, que pede por uma nova parceria orientada para o futuro, e assumirá posicionamentos de governos japoneses anteriores sobre questões históricas.
Kishida disse esperar que o lado sul-coreano implemente o plano e promova intercâmbios bilaterais nos campos político, econômico e cultural.
Os dois líderes também concordaram sobre a necessidade urgente de fortalecer os laços bilaterais com base no princípio da normalização das relações adotado em 1965, já que a situação de segurança na região tem se deteriorado.
Kishida e Yoon também reafirmaram a cooperação trilateral que inclui os Estados Unidos para lidar com a ameaça de mísseis da Coreia do Norte, seguindo-se a um lançamento de míssil balístico por Pyongyang na mesma quinta-feira (16) em que se encontraram.
Os dois lados concordaram em retomar, pela primeira vez em cerca de cinco anos, um diálogo bilateral de segurança entre autoridades das pastas de Relações Exteriores e de Defesa de ambos países.
Ademais, consentiram em estabelecer uma nova estrutura para diálogos sobre segurança econômica com o fim de fortalecer a cooperação para garantir redes de fornecimento de semicondutores e o predomínio de tecnologia quântica, bem como de outras tecnologias avançadas.
Kishida e Yoon reafirmaram a importância de implementar um pacto bilateral de compartilhamento de inteligência conhecido como GSOMIA de forma estável, já que a cooperação em defesa entre o Japão e a Coreia do Sul contribuiria para a paz e a estabilidade na região.
Os dois países assinaram o acordo em 2016. Em 2019, no entanto, o governo do então presidente sul-coreano Moon Jae-in notificou o Japão de que estava considerando abandonar o pacto após Tóquio ter adotado controles de exportação mais rígidos para a Coreia do Sul.
Kishida saudou a visita de Yoon como um grande avanço no fortalecimento dos laços bilaterais e expressou esperança de que venha a aprofundar ainda mais a confiança e a amizade entre os dois países.
Fonte: NHK World Japan
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