O material apresenta soluções para ambientes escolares mais seguros e acolhedores para os alunos e docentes
O Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC), lançou na úlitma sexta-feira (12/6), o mais novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras. O manual apresenta soluções para ambientes escolares mais seguros e acolhedores para os alunos e docentes. Instituído pela portaria MEC nº 635/2024, o material integra também o Programa Escola das Adolescências (Proea).
Desenvolvido junto ao Grupo de Trabalho Clima Escolar e Convivência do MEC, o guia reúne organizações como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Fundação Roberto Marinho, Ação Educativa, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da Universidade de São Paulo (Lepes/USP) e Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares da Universidade Federal de Minas Gerais (Nudepe/UFMG).
Soluções
O documento usa como base a diferença de clima que cada escola apresenta, sendo influenciado por sua história, território e relações estabelecidas no cotidiano escolar. O coordenador e pesquisador do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC, Adriano Moro, afirmou que o material não apresenta um modelo de soluções rígidas e sim princípios, estratégias reflexivas e possibilidades de organização institucional que podem ser adaptados em todas as instituições. No guia, as práticas de escuta ativa são um dos melhores métodos para transformar o ambiente escolar, além da colaboração e corresponsabilidade entre estudantes, famílias, professores e demais profissionais da escola.
A criação do guia foi motivada pelo incômodo vivenciado nas escolas brasileiras. Problemas como o enfraquecimento de sentimento de pertencimento, conflito interpessoal, dificuldade de diálogos, naturalização de violências e sobrecarga dos docentes foram apontados como os principais motivos para o desgaste na atmosfera escolar. Somado a isso, o coordenador ressalta que a falta de debates acerca dos temas como racismo, bullying e homofobia, contribui diretamente para o aumento desses casos no ambiente.
“A adolescência é uma fase sensível para construção da identidade, autonomia e relações com o próximo” , conta o pesquisador. Diante a afirmação, Adriano defende que a atmosfera escolar é impactante na vida dos jovens durante a formação básica. “Os vínculos estabelecidos nas escolas têm forte influência sobre o desenvolvimento emocional, social e acadêmico dos estudantes”, ele acrescenta. Logo, um ambiente positivo pode fortalecer o engajamento, a participação e a confiança dos adolescentes.

O coordenador também reforça que a qualidade da instituição não se limita aos certificados, mas também as condições relacionais, afetivas e participativas. A segurança não precisa vir de controle e vigilância, mas sim, de relações de confiança que fortalecem o sentimento de segurança. “Ambientes que tem punição como detectores de metal ou aumento dos muros, pode chegar a um controle momentâneo mas em geral não promove uma boa convivência boa”, conclui.
O primeiro passo para mudança do clima escolar pode ser a escuta feita pelos diretores e gestores do colégio. “Ouvir os estudantes, os funcionários e família para perceber os desafios citados e os aspectos mais frágeis”, o professor comenta. De acordo com Adriano, o reconhecimento do problema é o começo para a melhora da convivência escolar, e a pergunta “Que tipo de escola nós queremos ser?” pode ser o pontapé inicial para uma transformação positiva.
Fonte: Correio Braziliense
Foto: Divulgação

