Como funciona a eleição da FIFA? Entenda quem pode substituir Infantino

Após cinco federações declararem “Fora, Infantino”, entenda quem pode substituir o cargo na próxima eleição à presidência da FIFA e como funciona a votação que está marcada para março de 2027

O presidente da Fédération Internationale de Football Association (FIFA), Gianni Infantino, enfrenta a maior crise política nos dez anos de mandato após ver seu plano de privatização ir por água abaixo, apenas cinco dias depois de ser apresentado.

Todo esse alvoroço acontece próximo da eleição para a presidência da FIFA, marcada para os dias 17 ou 18 de março de 2027, durante o Congresso da entidade, em Rabat, no Marrocos. Países como País de Gales, Inglaterra, Suécia, Sérvia e Finlândia já oficializaram o “Fora, Infantino” por meio de comunicados públicos divulgados nesta segunda-feira (3/8), retirando totalmente o apoio à sua reeleição.

Mas, diante da possível saída de Infantino, quem serão os candidatos a ocupar um cargo que está nas mãos do mesmo dirigente há dez anos? E como funciona a eleição da FIFA? Essas são algumas das dúvidas levantadas por internautas.

Como funciona a eleição? 

A eleição para a presidência da FIFA segue o princípio de igualdade entre as federações nacionais. Todas as 211 associações filiadas tem direito a um voto, independentemente do tamanho, da tradição ou da força esportiva do país.

A votação acontece durante o congresso anual da FIFA chamado de Congresso Ordinário, que reúne representantes de todas as associações filiadas. Apesar do evento ser anual, o voto é de 4 em 4 anos, e é secreto, garantindo que não seja possível identificar oficialmente quem votou em cada candidato.

Quem pode se candidatar

Para registrar uma candidatura, o candidato precisa cumprir uma série de exigências estabelecidas pela federação e ter o nome aprovado pelo Comitê de Revisão da entidade.

Entre os principais requisitos estão:

  • apresentar o apoio formal de no mínimo, cinco federações nacionais;
  • ter exercido função ativa no futebol, seja como jogador, treinador, árbitro ou dirigente em pelo menos dois dos cinco anos anteriores à eleição; e 
  • ser aprovado no processo de integridade e verificação de antecedentes realizado pelo Comitê de Ética independente da FIFA.

Possíveis candidatos

Segunda a agência de notícias britânica Reuters, entre os nomes apontados como possíveis candidatos, está Victor Montagliani. O canadense é atual presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e vice-presidente de Infantino na FIFA. Outros possíveis nomes estão: 

  • Zvonimir Boban (Croácia), ex-jogador do Milan e ex-diretor de futebol da UEFA;
  • Rzvan Burleanu (Romênia), membro do Conselho da FIFA e presidente da Federação Romena de Futebol; e
  • Lise Klaveness (Noruega), presidente da Federação Norueguesa de Futebol.

Como é definida a eleição

A disputa pode ter até dois turnos, dependendo da quantidade de canditados e de votos. Sendo assim, para ganhar de primeira, o vencedor precisa de uma grande vantagem logo no ínicio. Se todas as 211 federações participarem da votação, serão necessários 141 votos para eleger alguém de primeira. 

Se nenhum candidato atingir esse número, o menos votado é eliminado e ocorre um segundo turno. Nessa etapa, vence quem obtiver maioria, ou seja, 50% dos votos mais um. Quando existe apenas um candidato apto a disputar o cargo, o Congresso pode dispensar a votação formal e confirmar a eleição por aprovação, como ocorreu em eleições anteriores envolvendo Infantino.

Desde a reforma de governança aprovada em 2016, uma mesma pessoa pode exercer, no máximo, três mandatos, totalizando até 12 anos no cargo. No caso de Infantino, se reeleito, ele poderia ficar até 2031, por conta de uma brecha em seu primeiro mandado, que acabou não entrando na conta oficial do limite. 

Entenda o projeto de privatização de Infantino

A proposta apresentada por Gianni previa a criação de uma subsidiária privada chamada FIFA Forward Enterprise (FFE). A nova empresa concentraria a administração dos principais ativos comerciais da FIFA, incluindo os direitos da Copa do Mundo masculina, da Copa do Mundo Feminina e do novo Mundial de Clubes.

Pelo plano, a FIFA venderia entre 20% e 21% da empresa para fundos privados de investimento. A FFE foi avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, e a negociação poderia render aproximadamente US$ 4,2 bilhões de forma imediata à entidade.

Além disso, a subsidiária passaria a controlar contratos de direitos de transmissão, patrocínios globais, licenciamento de marcas e a comercialização de ingressos das principais competições organizadas pela FIFA.

Fonte: Correio Braziliense  

Foto: Alfredo Estrella

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