Uma proposta ambiciosa que promete alterar o cenário logístico da Região Norte voltou ao centro das discussões: o projeto “Ponte de Safena”, que prevê a construção de uma estrada de mais de 400 quilômetros interligando o Amazonas ao Pará por via terrestre. A iniciativa tem mobilizado lideranças políticas, gestores municipais e especialistas, entre eles o ex-prefeito de Barreirinha, Glenio Seixas, que recentemente visitou o projeto e participou de reuniões sobre o tema.
A proposta, idealizada por Jeovam Barbosa, prevê a criação de um corredor rodoviário ligando municípios como Itacoatiara, Urucurituba e Maués até Aveiro, no Pará, com conexão à BR-163, rota estratégica para o escoamento de cargas até portos da região Norte. O traçado inclui cerca de 434 quilômetros de estrada e a construção de três pontes, sendo duas sobre o rio Amazonas e uma sobre o rio Tapajós.
Alternativa logística e impacto econômico
O projeto surge como resposta a um dos principais gargalos do Amazonas: a dependência quase exclusiva do transporte fluvial. Segundo os idealizadores, a nova rota poderia reduzir custos logísticos, facilitar o deslocamento de pessoas e ampliar a competitividade econômica da região.
Estimativas iniciais apontam que a obra pode impactar diretamente o Polo Industrial de Manaus, com potencial de reduzir em até 34% os custos de importação de insumos, além de diminuir o preço final de produtos que chegam ao estado.
A proposta também prevê a formação de um consórcio intermunicipal, já com adesão de cidades diretamente envolvidas no trajeto, o que indica um movimento de articulação regional para viabilizar o projeto.
Durante a visita, Glenio Seixas destacou a relevância do debate sobre infraestrutura para o desenvolvimento do Amazonas, mas ponderou que iniciativas desse porte precisam avançar com responsabilidade. Segundo ele, é fundamental que o projeto seja acompanhado de estudos técnicos aprofundados, capazes de avaliar não apenas a viabilidade econômica, mas também os impactos ambientais e sociais, especialmente por atravessar áreas sensíveis da floresta amazônica.
A posição reforça um ponto recorrente entre especialistas: a necessidade de equilibrar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, sobretudo em projetos de grande escala na região. “Precisamos unir desenvolvimento com o cuidado com a nossa floresta e isso é totalmente possível com um suporte técnico adequado. Sou totalmente a favor de projetos que tragam desenvolvimento para o Amazonas”, enfatizou Glenio durante a visita.

