Proibição das bets legais no país também seria benéfico para atuação das facções, na visão de Rodrigo Marinho, que defende regulamentação
O diretor-executivo do Instituto Livre Mercado, Rodrigo Saraiva Marinho, enfatizou que o aumento da tributação sobre combustíveis, bebidas alcoólicas, jogos de azar, entre outros bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente pode facilitar o crescimento do crime organizado e do mercado paralelo. Segundo ele, a aprovação do Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária, deve enfraquecer as empresas que atuam no mercado legal.
“Se esse imposto passar, ele vai ajudar — e muito — o crime organizado. O imposto já passou na PEC (45), mas eu espero que ele seja o mínimo possível. Para você ter ideia, agora no setor de petróleo, foi decidido do dia para a noite que a gente ia tributar 12% a exportação de petróleo no Brasil, em uma canetada violenta que caiu na medida provisória e, no dia seguinte, uma gerente de Comércio Exterior fez isso”, destacou Marinho.
A afirmação do presidente ocorreu nesta terça-feira (15/9), durante o CB Talks Segurança para o desenvolvimento do Brasil: uma agenda contra o crime organizado, evento promovido pelo Correio Braziliense. Na visão dele, a ocorrência de monopólios também favorece a atuação de grupos criminosos, ao mesmo tempo em que tira a força dos pequenos comerciantes e da população mais carente, em geral.
“Quando a gente está tratando sobre livre mercado, é diminuir a burocracia, facilitar as regras, permitir que as pessoas tenham clareza, não permitir que haja proibição de determinado setor e aqui é muito triste que você veja esses monopólios territoriais”, destacou o Marinho, que citou o caso dos cigarros eletrônicos como um exemplo clássico de produto que é totalmente proibido no Brasil, mas mesmo assim é amplamente comercializado por meio do mercado ilegal.
Durante o evento, ele também criticou a possibilidade de proibição das bets no Brasil. “Você proíbe isso e, obviamente, é o crime organizado que vai sorrir de orelha a orelha e vai invadir esse espaço e trabalhar fortemente para fazer esse mercado funcionar”, afirmou Marinho, que defendeu a manutenção da regulamentação aprovada em 2024 e que estabelece as diretrizes para a atuação dessas casas de aposta no país.
“Os bandidos têm que ser presos e não o mercado. Não é porque tem bandidos no mercado financeiro que o mercado é ruim por conta disso. Não é porque tem bandido em fintech que fintech é ruim por conta disso. Isso é fundamental. Não é uma faca que mata alguém. É uma pessoa que mata alguém. Tem que deixar claro essa diferença. O instrumento não pode ser responsabilizado pelo criminoso”, completou o diretor.
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Fonte: Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira

