Invencibilidade de 37 jogos passa por nove confrontos contra seis campeões mundiais. Se superar Argentina, La Roja bordará segunda estrela após ciclo perfeito diante de potências
Para retornar à final da Copa do Mundo depois de 16 anos, a Espanha decidiu atravessar a sala de troféus. O ciclo do técnico Luis de la Fuente passou por seis dos sete campeões mundiais e transformou La Roja em candidata natural ao título antes de a bola rolar no MetLife Stadium. Itália, Brasil, Alemanha, França, Inglaterra e Uruguai cruzaram o caminho dos espanhóis desde março de 2023. Falta apenas a última fronteira e quiseram os deuses do futebol que fosse a atual campeã, Argentina. Se vencer a decisão de hoje, a Espanha poderá reivindicar o posto de legítima dona do planeta bola depois de superar praticamente toda a linhagem de vencedores do torneio da Fifa.
Embora compartilhem a mesma língua na segunda final hispânica dos 96 anos de Copa do Mundo, Espanha e Argentina são antíteses no caminho até a decisão. Os sul-americanos também enfrentaram rivais de peso, mas cruzaram apenas com três campeões mundiais no ciclo: Brasil e Uruguai, pelas Eliminatórias, e a Inglaterra, na semifinal. Foram cinco confrontos, contra nove da Roja. O contraste vai além da estatística e ajuda a explicar por que os espanhóis chegam à final respaldados por um currículo que poucos campeões acumularam antes de levantar a Copa.
A caminhada espanhola ganhou contornos de rito de passagem. A Itália abriu a porta na Nations League. O Brasil colocou a maturidade à prova em amistoso no Santiago Bernabéu. Itália, Alemanha, França e Inglaterra legitimaram a conquista da Euro-2024. O Uruguai surgiu no caminho desta Copa, e a França voltou a cruzar o destino na semifinal. La Roja permanece invicta diante de campeões mundiais desde o início do ciclo, com 17 gols marcados e 11 sofridos. Falta apenas pintar o sete diante da Argentina para completar a travessia.
O principal arquiteto dessa escalada atende pelo nome de Luis de la Fuente. Promovido à seleção principal depois de conquistar a Euro Sub-19, a Euro Sub-21 e a medalha de prata olímpica em Tóquio, o treinador transformou a Espanha em uma máquina de competir. Desde a derrota para a Colômbia, em março de 2023, a Roja não sabe o que é perder. São 37 partidas de invencibilidade, alimentadas justamente pelos confrontos contra a elite do futebol mundial.
É justamente aí que reside a principal diferença entre os finalistas. A Espanha precisou colecionar credenciais diante da aristocracia do futebol mundial para consolidar a reconstrução conduzida por Luis de la Fuente. A Argentina percorreu o ciclo em outra condição: entrou como campeã do mundo. O calendário refletiu esse status. Fora das Eliminatórias, em que enfrentou Brasil e Uruguai por obrigação, os amistosos privilegiaram adversários de menor expressão, como Angola, Porto Rico, Venezuela, Islândia, Honduras, Zâmbia, Mauritânia, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, Panamá, Curaçao, Austrália e Indonésia. Enquanto isso, seleções como o Brasil mediram forças com França, Croácia, Inglaterra e a própria Espanha.
Curiosamente, havia um compromisso capaz de equilibrar essa balança. A Finalíssima contra a Espanha, prevista para este ciclo, colocaria frente a frente os campeões da Copa América e da Eurocopa. O duelo acabou adiado em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. Nos bastidores, ganhou força a versão de que nenhuma das duas seleções desejava disputar uma partida desse porte às vésperas do Mundial. O destino transferiu o encontro para o palco mais nobre possível: a final da Copa do Mundo.
Fonte: Correio Braziliense
Foto: Florência Tan Jun

