O homem condenado à prisão perpétua por matar o ex-premiê do Japão, Abe Shinzo, declarou à NHK que o atentado não teria acontecido sem a influência do grupo religioso amplamente conhecido como Igreja da Unificação.
Yamagami Tetsuya fez tal afirmação através de uma entrevista por escrito no início deste mês. Ele recebeu uma sentença de prisão perpétua em janeiro por disparar mortalmente contra Abe usando uma arma artesanal em julho de 2022, durante um comício eleitoral. A defesa de Yamagami entrou com recurso após a sentença.
Durante o julgamento, Yamagami pediu desculpas, mas afirmou que a devoção de sua mãe ao grupo religioso e suas vultosas doações arruinaram a família.
Questionado sobre qual estrutura de apoio poderia ter evitado a situação, Yamagami comentou que não existe nenhuma, acrescentando que o ataque não teria ocorrido se não houvesse a Igreja da Unificação, e que o grupo religioso não teria sido visto como problemático se as circunstâncias tivessem permanecido inalteradas.
O tribunal concluiu que Yamagami escolheu a violência em vez de alternativas judiciais, rejeitando o argumento de que experiências passadas influenciaram significativamente as ações. Yamagami rebateu na entrevista afirmando não ser razoável esperar que uma pessoa encontre uma solução.
Yamagami também comentou sobre a recente decisão do Tribunal Superior de Tóquio ordenando a dissolução do grupo religioso. Ele disse que se sentiu aliviado e classificou a ordem como uma solução parcial e um marco. Yamagami respondeu que restrições provisórias poderiam evitar a escalada dos problemas antes que as autoridades recorressem a medidas extremas, incluindo a dissolução do grupo.
Sakurai Yoshihide, professor especialmente designado da Universidade de Hokkaido, passou mais de 10 horas dialogando com Yamagami. Segundo o professor, o que importa para Yamagami é se o grupo religioso pode ou não ser responsabilizado não apenas pelos danos financeiros que causou, mas também pelos abusos relacionados à religião, e pela privação de oportunidades que ele poderia ter tido em sua infância.
Sakurai mencionou que agora existem ações judiciais movidas por filhos de membros de grupos religiosos, mas que esse recurso não estava disponível para a população há 10 anos, quando Yamagami foi tomado por intensa raiva e ressentimento.
Segundo Sakurai, a afirmação representa o apelo emocional de Yamagami para que as pessoas entendam a razão dele ter decidido prosseguir com o ataque, com base na situação da época.
Fonte: NHK World Japan
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