Professora Maria confronta Roberto Cidade: ‘Usar a causa autista para ganhar voto é jogo sujo e covardia’

A candidata ao Governo do Amazonas pela coligação “Mudar é Urgente” – PL/Novo, Professora Maria, subiu o tom na noite desta quarta-feira, 26/8, contra o governador Roberto Cidade (União) ao denunciar o que classificou como uso eleitoral da saúde pública e exploração da causa autista em período de campanha.

“Roberto Cidade, o seu C é de covarde. E eu vou te dizer por quê. Você é covarde quando usa uma realidade que exige respeito, uma situação de vulnerabilidade vivida por muitas famílias, para fazer campanha. Porque ninguém está questionando o atendimento às crianças autistas. O que estamos questionando é o uso eleitoral de uma política pública que pertence ao povo do Amazonas. É isso que está na Justiça”, afirmou a candidata, expondo o uso de sua ação judicial contra abuso de poder de forma distorcida pelo governador.

“Agora eu quero te fazer uma pergunta: por que você apagou o vídeo que publicou contra mim ontem? Foi porque não conseguiu sustentar a narrativa que criou? Ou foi porque uma das apoiadoras que aparecia naquele vídeo estava segurando ‘praguinhas’ (adesivos) do seu maior aliado, Wilson Lima? Aquele mesmo que 58% dos amazonenses dizem que não conseguirá eleger um sucessor. Então, se tiver coragem, responda. E, se tiver coragem de verdade, apareça no próximo debate. Porque eu estou pronta para te enfrentar. E, dessa vez, sem vídeo apagado, sem recorte e sem cortina de fumaça”, desafiou a Professora Maria.

Em encontro com mães atípicas, a candidata também expôs a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) que determinou a remoção de vídeos gravados pelo governador e seus apoiadores dentro de unidades públicas de saúde, após representação eleitoral da sua candidatura questionar o uso da estrutura pública para promoção pessoal durante a campanha.

A ação tem como fundamento o artigo 73 da Lei nº 9.504/1997, que estabelece restrições ao uso eleitoral de bens, serviços e estruturas públicas, sustentando que serviços de saúde são patrimônio público e devem permanecer a serviço da população, não ser transformados em instrumento de promoção eleitoral.

Mães denunciam abandono e cobram atendimento permanente
Durante o encontro, as mães de crianças atípicas relataram uma realidade distante da propaganda eleitoral.

A autônoma Thalita Guimarães, de 30 anos, mãe de três filhos — duas meninas gêmeas autistas e um menino com TDAH — contou que espera há mais de um ano por uma consulta com neuropediatra na rede pública.

“Estou há um ano e dois meses esperando um neuropediatra pelo sistema público e esse mutirão nunca chegou para mim. Esse mutirão é para quem? Só para quem vai votar nele? Antes eles não ligavam para a causa. Agora, em época de eleição, todos focam nos autistas para ganhar voto. A gente precisa de uma mulher no poder que entenda a nossa dor de mãe e faça a diferença de verdade”, afirmou Thalita.

A dona de casa Maria Lidiane Serra, de 48 anos, também relatou as dificuldades enfrentadas pelo filho de 16 anos, que convive com autismo, epilepsia, dislexia e TDAH. Segundo ela, a família enfrenta há anos a falta de especialistas e de medicamentos de uso contínuo.

“Meu filho precisa urgentemente de um neuro porque está tendo crises convulsivas dormindo. De quatro em quatro anos a história é a mesma. Não adianta votar nas mesmas pessoas. Esses mutirões de época de eleição não resolvem a nossa vida se não houver um trabalho sério e contínuo. Precisamos de alguém que olhe de verdade pelos nossos filhos”, cobrou Maria Lidiane.

Para Professora Maria, a política para pessoas autistas precisa deixar de ser ação de ocasião e se transformar em política pública permanente, com atendimento contínuo, profissionais especializados e respeito às famílias. A candidata reafirmou que defenderá o direito das famílias atípicas a saúde pública digna, gratuita e permanente, sem transformar a vulnerabilidade de mães e crianças em instrumento de propaganda ou moeda eleitoral.

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