Para presidente do Banco do Japão, é preciso considerar um impacto mais amplo das altas do petróleo

O presidente do Banco do Japão afirma que os bancos centrais precisam ficar atentos a impactos mais amplos que as altas do petróleo têm tido sobre a economia. Ueda Kazuo considera necessário, em particular, uma análise de como outros fatores estimulam a inflação, não só a tendência de aumento nos preços do petróleo.

Ele apresentou o ponto de vista em evento realizado pelo banco central japonês na quarta-feira, em Tóquio. Ueda declarou: “Os bancos centrais não devem olhar para os preços do petróleo de maneira isolada. Idênticas altas do petróleo podem ter efeitos muito diferentes, dependendo de salários, de expectativas, da demanda de bens e serviços e das taxas de câmbio.” Explicou que mesmo choques temporários podem se tornar persistentes caso conduzam a alterações em salários, nas expectativas e no comportamento da definição de preços.

O presidente do Banco do Japão ofereceu uma perspectiva histórica. Lembrou que o primeiro choque do petróleo no país, em 1973, levou a “uma espiral típica preços–salários”, mas ressaltou que, naquela época, a economia já estava inflacionária.

Quanto à alta acentuada do petróleo ocorrida entre 2021 e 2022, destacou que a invasão da Ucrânia pela Rússia “intensificou pressões sobre as commodities”. Ao mesmo tempo, ressaltou, os “aumentos de preços no Japão se tornaram mais generalizados” em consequência da desvalorização do iene.

Ueda não fez menção a políticas monetárias futuras. As atenções se voltam, porém, para a possibilidade de que o Banco do Japão decida fazer um aumento adicional da taxa básica de juros na sua próxima reunião de conselho, em junho.

Fonte: NHK World Japan  

Foto: Divulgação

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