No Brasil, mais de 41 mil pessoas aguardam por um transplante de órgão, sendo os homens a maioria dos pacientes
Dados do Ministério da Saúde revelam que, no momento, 41.559 pessoas aguardam em lista do Sistema Único de Saúde (SUS) por um transplante de órgãos. Deste total, 24.393 são homens e 17.165 são mulheres. No país, o rim é o órgão mais transplantado, representando 66,72% dos procedimentos. Em segundo e terceiro lugares aparecem o fígado (1.777) e o coração (323), respectivamente.
Esse cenário está na base da criação da campanha Setembro Verde, que instituiu o nono mês do ano como o período destinado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos no Brasil, e 27 de setembro é o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A campanha foi criada em 2014, a partir da Lei nº 15.463, com o objetivo de informar a população sobre a importância da doação.

A Bíblia não trata diretamente da doação de órgãos, o que faz com que muitos evangélicos tenham dúvidas sobre o assunto. O pastor Wagner Escatamburgo, da Assembleia de Deus Ministério Vale das Virtudes, em São Paulo (SP), afirma que os cristãos podem doar órgãos sem preocupação. Segundo ele, a doação é um ato que salva vidas e reflete a crença cristã. “É um verdadeiro gesto de amor ao próximo, que demonstra a fé em Cristo, conforme Tia
O pastor explica que alguns cristãos acreditam erroneamente que devem entrar na eternidade com o corpo íntegro. No entanto, a Bíblia ensina que os salvos terão corpos transformados, como afirma o apóstolo Paulo. “A ressurreição ocorrerá com novos corpos, glorificados e perfeitos, sem máculas, dores ou cansaço físico (1 Tessalonicenses 4.13-18; 1 Pedro 1.3,4),” conclui Wagner.

Por sua vez, o teólogo e pastor Lourenço Stelio Rega destaca que a Bioética busca promover dignidade e qualidade de vida, alinhando-se à teologia da Criação. “Deus nos deu um mandato cultural (Gn 1.26ss) que nos coloca como cocriadores com o Criador. Isso implica uma gestão responsável da natureza e a capacidade de melhorar a vida com dignidade e qualidade.”
Lourenço também ressalta a “Somatoética,” a ética do corpo, que enfatiza qualidade e dignidade.
“O corpo pertence a Deus, e a doação de órgãos é um ato de amor, solidariedade e, em alguns casos, de amor sacrificial, especialmente em transplantes intervivos, onde o doador cede um órgão, como um rim ou parte de um fígado, o que pode acarretar limitações para ele em benefício do receptor”, pontua. “Para transplantes de órgãos vitais, como coração ou pulmão, é necessário que o doador manifeste seu desejo de doar ainda em vida”, complementa o teólogo.

Quem pode ser doador?
De acordo com o médico Gustavo Peixoto Soares Miguel, especialista em transplante de fígado que atua no Hospital Meridional Cariacica (ES), qualquer pessoa pode se declarar e ser doadora de órgãos. No entanto, “a equipe médica decide a viabilidade de usá-los ou não, conforme critérios técnicos”.
O especialista esclarece que não há limite de idade para ser um doador, o que pode incluir desde bebês até idosos. O médico considera as campanhas de mobilização importantes, justamente para que a sociedade seja conscientizada. “Se não mostrarmos que há milhares de pessoas aguardando por um órgão, não criamos a motivação para alguém ser doador”.

No Brasil, é crucial discutir com a família a intenção de ser doador de órgãos, já que a doação só pode ser realizada com a autorização dos familiares. “Informar a família sobre o desejo de doar os órgãos após a morte é essencial, pois ajuda a garantir que a vontade do falecido seja respeitada”, destaca Maria Machado, coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES).
Em abril deste ano, o Ministério da Saúde firmou parceira com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Cartório Notarial do Brasil. A iniciativa permite a autorização para doação de órgãos e tecidos por meio de uma plataforma eletrônica. A manifestação individual ficará registrada nos cartórios nacionais por meio da implementação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, Tecidos e Partes do Corpo Humano (AEDO).
Fonte: Portal Comunhão

