Ex-jogador relembrou carreira, derrotas marcantes e declarou que sua verdadeira identidade está na fé
O que cercava Kaká naquela noite em Sorocaba não lembrava em nada a atmosfera de seus tempos de Morumbi, San Siro ou Santiago Bernabéu. Ninguém aguardava dribles, arrancadas ou gols. O público buscava outra coisa: ouvir a fé de um dos maiores nomes da história recente do futebol.
O ex-jogador chegou discretamente, vestindo roupas simples, sem marcas, quase irreconhecível para quem se acostumou ao brilho das grandes arenas. Trocou chuteiras por um exemplar da Bíblia e deixou para trás o ambiente de coletiva de imprensa para ocupar um púlpito. Ali, ele não era o melhor do mundo de 2007 — era apenas Ricardo, compartilhando experiências espirituais.
A igreja ficou completamente tomada muito antes do horário marcado. Famílias inteiras se acomodaram como puderam, algumas até pelos corredores, transformando o templo em uma espécie de “estádio silencioso”. No lugar de gritos de torcida, ouviam-se louvores e orações.
Quando foi chamado ao palco, Kaká manteve uma tradição: brincou com o público, fez embaixadinhas e chutou bolas autografadas, provocando disputa entre os presentes. Até uma camisa assinada foi sorteada e acabou nas mãos de um jovem que viajou mais de 500 km só para vê-lo.
A mensagem da noite recebeu o título “O poder da presença de Deus”. Antes de começar a falar, Kaká ensaiou silenciosamente diante do púlpito, mexeu no microfone e revisou imagens de sua carreira no tablet. Quando finalmente iniciou, sua voz era tranquila e pausada.
Ele dividiu sua história em cinco momentos. Recordou o acidente doméstico de 2000, que quase comprometeu sua carreira; relembrou a surpresa de ser convocado para a Copa de 2002; falou sobre derrotas marcantes, como a final perdida da Champions em 2005 e a queda do Brasil em 2006; e contou como decidiu deixar o São Paulo rumo ao Milan.
O ponto mais emotivo veio quando mencionou sua passagem turbulenta pelo Real Madrid. Sem esconder a dor, admitiu ter vivido crise de identidade ao ver sua imagem ser alvo de críticas todos os dias:
— Quem eu era? O melhor do mundo ou a pior contratação da história?
A resposta, segundo ele, veio da fé:
— Eu descobri que minha identidade não estava no futebol. Eu era, antes de tudo, filho de Deus.
A igreja reagiu com gritos de “glória a Deus” e aplausos.
Ao final do culto, Kaká foi cercado por fiéis que buscavam fotos, autógrafos ou apenas uma palavra. Levou mais de dez minutos para atravessar poucos metros até a saída. Quando a porta se fechou atrás dele, não restava o craque famoso, mas o homem que acredita ter sido chamado para uma missão fora dos gramados — agora diante de um público que não celebra gols, mas responde “amém”.
Fonte: O Fuxico Gospel
Foto: Divulgação

