OAB-AM promove primeira Conferência de Educação Antirracista do Amazonas

Evento reunirá especialistas, educadores, juristas e lideranças negras e indígenas no dia 13 de novembro, em Manaus, para discutir o combate ao racismo nas instituições de ensino e fortalecer políticas públicas de inclusão e igualdade racial.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), por meio da Comissão de Direito à Educação e Políticas Públicas, realiza no dia 13 de novembro a I Conferência Amazonense de Educação Antirracista. A iniciativa pretende ampliar o debate sobre o direito à educação, o enfrentamento ao racismo e a valorização da história, da cultura e dos conhecimentos dos povos negros e indígenas no Amazonas.

À frente da organização está a advogada Dra. Silvana Gurgel, presidente da Comissão de Direito à Educação e Políticas Públicas da OAB-AM. Segundo ela, a conferência nasceu da necessidade de aproximar o debate sobre o direito à educação da realidade vivida pelas populações negras e indígenas, reunindo instituições, profissionais e sociedade civil na construção de compromissos que contribuam para uma educação mais justa e inclusiva.

“A diversidade que caracteriza o Amazonas precisa estar presente também nos currículos, nas práticas pedagógicas e nos espaços de decisão. Nosso objetivo é contribuir para uma educação que reconheça as diferenças, enfrente o racismo e assegure oportunidades de acesso, permanência e desenvolvimento”, destaca a advogada Dra. Silvana Gurgel.

Entre os principais desafios que serão discutidos estão a formação continuada de professores, a revisão de materiais didáticos, a valorização de autores e conhecimentos negros e indígenas e a preparação das instituições para identificar e enfrentar situações de discriminação. A conferência também abordará a naturalização de atitudes racistas tratadas como brincadeiras e as dificuldades relacionadas ao acesso, à permanência e ao pertencimento de estudantes no ensino superior.

A programação contará com a palestra magna da Dra. Katia Helena Serafina Cruz Schweickardt e participações do desembargador Flávio Pascarelli e do professor doutor Mário Aufiero. Também estão previstos debates com o professor doutor André Zogahib e a roda de conversa “Vozes da Amazônia: Negros e Indígenas Ocupando a Educação”, com Ivete Tikuna e a professora mestra Rafaela Fonseca da Silva. A agenda inclui ainda discussões sobre a responsabilidade das escolas privadas no enfrentamento ao racismo.

“Não basta reconhecer que o racismo existe. É necessário compreender como ele se manifesta no cotidiano escolar e construir mecanismos para combatê-lo. Isso passa pela formação dos profissionais da educação, pela valorização da diversidade e pelo compromisso das instituições com políticas públicas que promovam a equidade”, ressalta a presidente da Comissão.

Um dos principais resultados previstos para esta primeira edição será a construção da Carta de Manaus pela Educação Antirracista, documento que reunirá propostas e compromissos relacionados à formação de professores, à valorização dos conhecimentos negros e indígenas, ao acesso e à permanência no ensino superior e à prevenção e ao enfrentamento do racismo nas instituições educacionais. A intenção é encaminhar as contribuições às instituições de ensino, gestores públicos e representantes da sociedade civil.

A expectativa da organização é receber aproximadamente 500 participantes por turno, entre professores, gestores escolares, estudantes, pesquisadores, profissionais do Direito, representantes do poder público, movimentos sociais e lideranças negras e indígenas. Para a advogada Dra. Silvana Gurgel, a conferência deve representar o início de uma articulação permanente em defesa de uma educação que respeite as identidades e assegure oportunidades.

“Queremos que essa conferência seja um espaço de conhecimento, escuta e construção coletiva. Nenhuma criança, adolescente ou adulto deve enfrentar humilhação ou exclusão por sua cor, origem, cultura ou pertencimento étnico. Esperamos que cada participante saia do evento reconhecendo seu papel na construção de uma educação antirracista no Amazonas”, afirma.

You May Also Like

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *