Hiroshima realizou nesta quinta-feira a sua cerimônia anual pela paz, marcando 81 anos do lançamento da bomba atômica sobre a cidade. Em todo o Japão, pessoas fazem uma pausa em homenagem às vítimas.
Na manhã desta quinta-feira Hiroshima ficou em silêncio às 8h15 — instante em que os Estados Unidos lançaram a bomba atômica, em 1945. O calor e a radiação da explosão arrasaram a cidade, em tragédia que mataria cerca de 140 mil pessoas até o fim daquele ano. Ainda hoje, muitos dos sobreviventes sofrem de câncer e de outras doenças relacionadas à exposição à radiação.
Participaram da cerimônia a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, e representantes de 121 países e regiões — um número recorde.
O prefeito de Hiroshima, Matsui Kazumi, colocou uma lista atualizada de vítimas da bomba atômica em monumento construído no Parque da Paz. Agora, a lista contém 353.639 nomes, incluindo o de 4.393 pessoas que morreram ou cujas mortes foram confirmadas nos últimos 12 meses.
Matsui apresentou uma declaração pela paz, que pede a eliminação das armas nucleares. Ele afirmou: “Responsáveis por políticas públicas do mundo inteiro, saibam que a sociedade civil exige a eliminação imediata das armas nucleares. Por quanto tempo pretendem nos decepcionar? Certamente, vocês entendem que qualquer uso de arma nuclear infligirá danos catastróficos à humanidade e que a não proliferação e o desarmamento nucleares só podem ser abordados por meio de esforços multilaterais. Apelo aos dirigentes de nações que possuem armas nucleares. Cabe a vocês a principal responsabilidade por um desarmamento nuclear. Certamente, vocês devem reconhecer o imperativo de dar o exemplo.”
A primeira-ministra do Japão também discursou na cerimônia. Takaichi Sanae declarou: “O Japão defende firmemente os Três Princípios Não Nucleares e, como ‘única nação a sofrer ataques atômicos em guerra’, persistirá em concretizar um ‘mundo livre de armas nucleares’. Esta é a missão que levamos adiante. Atualmente, o ambiente de segurança global vem se tornando cada vez mais severo. Realizada recentemente, a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear mostrou que o caminho para um ‘mundo sem armas nucleares’ está longe de ser tranquilo. Mesmo assim, é exatamente por isso que devemos seguir em frente.”
Para alguns participantes, a peregrinação até o Parque da Paz começou horas antes da cerimônia.
A filha de uma sobrevivente da bomba atômica disse: “Minha mãe, que sobreviveu à bomba, já faleceu. Quando ela estava viva, eu ouvia atentamente as suas histórias. O número de sobreviventes continua a diminuir. Então, acho que nós, como seus filhos, devemos contar a história do que aconteceu em consequência da bomba atômica e continuar a falar sobre a importância de uma paz mundial para o futuro.”
Um estudante do Ensino Médio afirmou: “Como o número de sobreviventes está diminuindo, considero importante que mais jovens como nós ouçam as histórias deles para poder transmitir a sua experiência às gerações futuras.”
No fim de março, estavam vivos cerca de 91 mil sobreviventes das bombas atômicas, com idade média superior a 86 anos.
Fonte: NHK World Japan
Foto: Divulgação

