Escova de dentes tem prazo de validade? Saiba quando é hora de trocar

Dentista explica por que a força na escovação nem sempre é o problema, esclarece mitos sobre capinhas protetoras e aponta o que realmente merece atenção no dia a dia

Trocar a escova de dentes a cada três meses é uma recomendação bastante conhecida, mas esse prazo não funciona como uma regra para todas as pessoas. O momento ideal depende de fatores como a forma de uso, a intensidade da escovação, o tipo de cerdas e até a maneira como a escova é guardada. Mais importante do que seguir um calendário é observar se ela ainda consegue limpar os dentes de forma eficiente.

Segundo o cirurgião-dentista e periodontista Sérgio Braga, mestre em Periodontia, o principal objetivo da escova é remover o biofilme dental, também conhecido como placa bacteriana. Quando isso não acontece, aumentam as chances de desenvolver problemas como cárie, gengivite e periodontite.

O especialista explica que o sinal mais fácil de identificar em casa é a deformação das cerdas. “Escovas com cerdas deterioradas ou deformadas não vão possuir a mesma eficácia de higiene e podem manter placa entre os dentes. No final, a pessoa está perdendo tempo.” Algumas escovas ainda possuem cerdas coloridas que desbotam com o uso e funcionam como um indicativo de que a troca está próxima.

Além das cerdas abertas, outros sinais também merecem atenção, como escurecimento, desgaste na cabeça da escova e pequenos arranhões que podem favorecer o acúmulo de micro-organismos. Para Sérgio, o prazo de três meses serve apenas como referência. “Isso depende de cada usuário e dos cuidados com a limpeza da própria escova. O desgaste varia conforme a rigidez das cerdas, a força utilizada e a frequência da escovação.”

Outro ponto que costuma gerar dúvidas são as capinhas protetoras. Apesar de parecerem uma boa solução, elas nem sempre ajudam. O dentista explica que esses acessórios podem acumular sujeira, fungos e bactérias quando não são higienizados corretamente. O ideal é guardar a escova limpa e seca em um local alto, limpo e bem ventilado, reduzindo o contato com os aerossóis produzidos pelo vaso sanitário. Para viagens, caixas e estojos podem ser úteis, desde que também sejam limpos com frequência.

A higienização da própria escova também merece cuidados. Sérgio afirma que uma alternativa simples é deixá-la, uma vez por semana ou a cada quinze dias, em uma solução feita com um litro de água limpa e uma colher de sopa de água sanitária. Já fervê-la não é recomendado, pois o calor pode deformar as cerdas e reduzir sua eficiência.

Muitas pessoas acreditam que escovar os dentes com bastante força garante uma limpeza melhor. Na prática, não é assim. Segundo o dentista, a maior dificuldade da população continua sendo remover corretamente a placa bacteriana, principalmente dos dentes posteriores e entre os dentes, onde o fio dental continua sendo indispensável.

“A preocupação deveria estar na qualidade da escovação e no tempo dedicado à higiene bucal, e não apenas em escolher a melhor escova”, afirma. Ele também observa que muitos pacientes apresentam pouca habilidade manual, especialmente para usar o fio dental. Por isso, acessórios como passadores de fio, escovas interdentais e irrigadores bucais podem facilitar a rotina, embora não substituam uma escovação bem feita.

Uma dúvida comum é se manter a mesma escova por seis meses pode causar doenças. Nesse ponto, Sérgio Braga faz um alerta importante. “Não existe evidência científica que relacione o uso prolongado da escova com infecções ou doenças na boca. O principal problema é a perda da capacidade de remover a placa bacteriana quando as cerdas já não estão em boas condições.”

Ele também explica que o simples envelhecimento da escova não faz com que ela se torne automaticamente perigosa. O risco depende muito mais da forma como ela é armazenada e higienizada. Em condições normais, a escova abriga os mesmos micro-organismos presentes naturalmente na boca. A maior preocupação está em situações específicas, como o compartilhamento entre pessoas ou quando alguém apresenta infecções virais.

“Alguns vírus podem permanecer viáveis por até 24 horas na escova. Por isso, pessoas com infecções como herpes, HPV ou hepatite devem manter a escova separada das demais e reforçar sua higienização”, explica.

Para o periodontista, muitas informações divulgadas sobre escovas antigas acabam gerando medo sem respaldo científico. O grande desafio continua sendo remover bem a placa bacteriana todos os dias. Uma escova eficiente e uma boa técnica de escovação ainda são os fatores que mais fazem diferença para a saúde bucal.

Fonte: Correio Braziliense

Foto:  Jonas Bergsten

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