USP desenvolve terapia que pode estimular a repigmentação da pele

Pesquisadoras combinam nanotecnologia e terapia gênica para controlar a doença e restaurar a cor da pele; técnica já teve sucesso em animais

Novas abordagens que unem nanotecnologia e biotecnologia buscam um tratamento mais eficaz para o vitiligo. A proposta é controlar a inflamação crônica e restaurar a pigmentação da pele, segundo uma revisão de pesquisadoras da USP de Ribeirão Preto publicada na revista “Clinical Reviews in Allergy & Immunology”, de acordo com uma revisão de pesquisadoras da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP.

A pesquisa aponta ser possível controlar as vias moleculares envolvidas na destruição dos melanócitos, as células que produzem melanina. O pigmento é responsável por dar cor à pele, cabelos e olhos.  A técnica visa controlar as vias moleculares que destroem os melanócitos, as células que produzem a melanina, pigmento que colore a pele. Atualmente, o vitiligo afeta até 2% da população mundial, e no Brasil, mais de 1 milhão de pessoas convivem com a condição.

As estratégias mais recentes usam anticorpos e pequenas moléculas, como os inibidores de Janus quinase. Esses fármacos são encapsulados em nanopartículas microscópicas capazes de atravessar a camada superficial da pele e alcançar as regiões mais profundas, onde o vitiligo se desenvolve.

A nanotecnologia permite a liberação controlada e prolongada do medicamento, já demonstrando eficácia superior a terapias convencionais, como os corticosteroides. O artigo também classifica o vitiligo como uma falha na capacidade do corpo de recuperar seu equilíbrio natural e conter a destruição contínua de melanócitos.

Terapia para silenciar genes

Os avanços mais promissores envolvem a terapia gênica, especialmente com o uso de RNAs silenciadores. Eles são capazes de reduzir a expressão de alvos moleculares associados ao vitiligo. Essa linha de investigação levou ao desenvolvimento de uma tecnologia protegida por um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

A farmacêutica Ana Vitória Pupo, que desenvolveu a tecnologia em seu doutorado, explica que a proposta é atuar de forma mais específica nas vias que sustentam a resposta autoimune. Em doenças como o vitiligo, genes específicos produzem moléculas inflamatórias em níveis elevados. A técnica de RNA de silenciamento degrada o RNA mensageiro, que carrega a informação para produzir essas proteínas.

No entanto, a aplicação terapêutica dessa estratégia exige um sistema de entrega eficiente. Segundo Pupo, as moléculas de RNA, quando aplicadas sozinhas na pele, têm baixa penetração e são rapidamente degradadas. “Por isso, desenvolvemos uma nanopartícula com alta interação com a pele, capaz de modular a permeabilidade cutânea e facilitar a entrada dessas moléculas”, destaca ao Jornal da USP.

Resultados e próximos passos

A tese de Ana Vitória Pupo obteve sucesso no tratamento de vitiligo em camundongos. Os animais foram induzidos a desenvolver a doença e receberam as nanopartículas com o fármaco por 15 dias. Os resultados, ainda não publicados, mostram que o tratamento atenua a resposta imune e promove a repigmentação.

O próximo passo é o teste em humanos, mas as pesquisadoras cautela. O vitiligo afeta entre 0,5% e 2% da população mundial, e mais de 1 milhão de pessoas no Brasil. Embora não seja incapacitante, o impacto psicossocial é significativo, podendo levar à estigmatização, baixa autoestima, ansiedade e depressão.

As pesquisadoras também se preocupam com a acessibilidade do tratamento. “A base das nossas partículas não é cara. A gente trabalha com materiais relativamente baratos e simples. A piperina, que é o fármaco, é sintética. O que encarece é o RNA de silenciamento”, explica a professora.

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Magnific

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